21 de julho de 2010

Movimento Nacional

De morador de rua a líder de movimento, Miranda pede políticas integradas

Há sete meses, Anderson Lopes Miranda, de 33 anos, vivia com as duas filhas – de 1 e 3 anos - e a mãe das meninas em um albergue para famílias na capital paulista. Sobrevivia de recolher latinhas. Mas, como líder do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR), já havia viajado a Brasília mais de 20 vezes e a países como Alemanha e Argentina. Isso para pedir, principalmente, o fim do assistencialismo e início das políticas públicas para os moradores de rua. “Chega de ser um problema só de assistência, queremos ser tratados como problema de saúde pública, educação, trabalho e habitação”, afirma.

Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo | 27/06/2009 07:04

Órfão de pai e mãe, Miranda viveu em orfanatos até os 14 anos quando saiu para morar em uma pensão e trabalhar como office boy. A primeira noite na rua aconteceu poucos meses depois, quando voltava de Atibaia, no interior de São Paulo, e o ônibus quebrou. Estava na rodoviária do Tietê às 2h quando dois homens me assaltaram, levaram R$ 2 mil, roupas e tudo que eu tinha, conta. Sem família e sem dinheiro, Miranda foi para a rua.



Sozinho, aprendeu a não dormir, só cochilar. É aquele medo à noite. Entrava em crise comigo. Se passava alguém perto, já levantava rápido, afirma. No centro da cidade, debaixo de uma marquise no bairro da Barra Funda, conta presenciou a morte de um morador de rua por dever R$ 80 a outro. Os dois brigaram e um meteu um paralelepípedo na cabeça do outro, lembra.

Com medo, começou a pegar o trecho – gíria para andar de uma cidade a outra. Em uma de suas caminhadas, no ano de 2000, afirma que foi a pé de Minas Gerais até a Bahia. Quando chegou em Itabuna, no sul do Estado, foi atropelado por um caminhão. Me levaram para o hospital, mas quando souberam que eu era indigente me jogaram uma tala e me deixaram na cama por três dias. Eu só recebia bolacha de água e sal e água, diz ele, que afirma ter chegado a pesar 35 quilos.

De volta a São Paulo, já recuperado, Miranda iniciou a luta em defesa dos moradores de rua. Em 2004, após o assassinato de sete pessoas que dormiam na Praça da Sé, região central de São Paulo, foi organizado o primeiro Movimento Nacional dos Moradores de Rua.

Luta pelos moradores de rua

Em 2005, aconteceu o primeiro seminário da população de rua em Brasília, que reuniu diversos representantes da sociedade civil e do governo federal para discutir a questão. No ano seguinte, foi criado um Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) para elaborar uma Política Nacional para a População de Rua.

O segundo encontro nacional da população em situação de rua ocorreu em 19 de maio último, em Brasília. No evento, estiveram presentes cerca 170 moradores e ex-moradores de rua, além de ONGs e ministros.

"Não queremos guetos. Queremos conviver"

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), A Política Nacional passou por ajustes neste encontro. Quando o novo texto estiver pronto ele será encaminhado ao presidente Lula para que se torne um decreto.

A intenção, conforme o governo, é que os ministérios envolvidos no programa transformem as diretrizes da política em plano de trabalho.

Miranda afirma que a Política Nacional pede principalmente a inclusão do morador de rua nos programas já existentes. Não queremos a criação de banheiros públicos só para moradores de rua. Não queremos gueto, queremos conviver, explica.

"Não consigo sair da rua, se eu não ficar duas ou três noites dormindo na rua eu enlouqueço"

Entre as propostas, está a de que 5% das vagas de moradia da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) sejam destinadas à população de rua.

Vida nova com hábitos antigos

Com residência fixa e carteira assinada, Miranda, hoje, pode dizer que saiu da situação de rua. Vive as duas filhas e a mãe delas em um apartamento da CDHU na Cidade Tiradentes, no extremo leste da capital. Mesmo com a casa, ele diz que não perdeu alguns hábitos antigos. Não consigo sair da rua, se eu não ficar duas ou três noites dormindo na rua eu enlouqueço, afirma.

Outro costume que permanece é o de recolher latinhas. Com a diferença que hoje não as vende mais, só repassa para quem precisa. Mesmo trabalhando eu cato latinha, se não fizer isso eu perco a minha raiz. Minha vida sempre foi essa, nunca depender só dos outros. É o que me sinto feliz, diz.


Fonte:

http://ultimosegundo.ig.com.br/ultimosegundo/brasil/de+morador+de+rua+a+lider+de+movimento+miranda+pede+politicas+integradas/n1237627066145.html

20 de julho de 2010

Acordar - contatos - atualidades.

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Fiquem à Vontade!!!



Sete estados atingem ODM contra a pobreza

Das 27 unidades federativas brasileiras, sete conseguiram reduzir pelo menos à metade, entre 1991 e 2008, a proporção da população com renda familiar inferior a R$ 255 (meio salário mínimo), meta estabelecida pelo primeiro dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), cujos cumprimentos são previstos até 2015, revela o coordenador do Orbis (Observatório Regional Base de Indicadores de Sustentabilidade), Alby Rocha, que participou do 3º ciclo de Seminários Estaduais de Acompanhamento dos ODM, entre 23 de abril e 10 de junho.

Dos sete estados, seis ficam no eixo Sul-Sudeste: Santa Catarina lidera os avanços, com 67%, seguido de Paraná (60%), Rio Grande do Sul (54%), Minas Gerais (53%), Espírito Santo (51%) e Rio de Janeiro (50%). Goiás é o único de outra região a alcançar o objetivo 1, com progresso de 53%.

"Já São Paulo não avançou tão rapidamente", explica Rocha. A maior metrópole do país teve resultados bem inferiores: reduziu a pobreza em 30%. O estado possui 5,7 milhões de pobres, sendo que 1,63 milhão de pessoas possuem renda familiar mensal menor que R$ 127,5.

Se Santa Catarina foi o estado que apresentou melhor resultado, Roraima seguiu a direção inversa, com queda de apenas 4% no indicador de pobreza no período analisado. Em compensação, é o que apresenta o menor número de pobres no Brasil: 160 mil. Na região Norte, o Tocantins ficou perto de alcançar a meta, com avanço de 46% no objetivo 1.

Com exceção do Distrito Federal (25%), as outras três unidades federativas do Centro-Oeste fizeram progresso considerável. Goiás ultrapassou a meta, enquanto Mato Grosso (49%) e Mato Grosso do Sul (48%) quase chegaram lá. Por outro lado, o DF é quem possui menos pessoas sob a linha de pobreza na região, com 465 mil.

Já o Nordeste continua apresentando os menores avanços do país. O estado que mais se aproximou da meta 1 foi o Rio Grande do Norte (39%), enquanto o que ficou menos perto foi Alagoas. Em todas as unidades federativas nordestinas, cerca de metade da população se encontra abaixo da linha de pobreza, indicam os dados das sínteses estaduais da região, quando confrontados com estimativas populacionais do IBGE de 2007.

Ciclo de seminários estaduais

O 3º ciclo de seminários estaduais terminou no dia 10 de junho com quatro reuniões estaduais – em Curitiba, Natal, Vitória e Rio Branco. Cada unidade federativa abrigou uma edição do evento, durante as quais foram apresentados os dados contidos na respectiva síntese estadual.

Ao todo, sete mil pessoas participaram dos seminários. Para Maria Aparecida Zago Udenal, que faz a articulação do Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade na Paraíba, o ciclo foi muito positivo. "Foi interessante para as pessoas poderem conhecer como estão os seus estados. O círculo de diálogos ajuda a engajar a sociedade no alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio", afirma.

Os seminários também discutiram como trabalhar os ODM na gestão municipal e como a indústria e o setor privado podem atuar mediante seus projetos de responsabilidade social. Ao fim do terceiro ciclo, ficou definido que Curitiba abrigará um projeto-piloto de workshop, em 17 de agosto, que terá apoio do PNUD e buscará mostrar às indústrias paranaenses como elas podem ajudar a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Já a coordenadora da unidade de planejamento do PNUD, Maria Celina Arraes, afirma que os seminários ajudam a enfrentar o desafio da municipalização dos ODMs, levando em consideração as diferenças locais para o cumprimento das metas.

Por sua vez, o assessor da Secretaria Geral da Presidência Davi Schmidt acredita que os núcleos estaduais de auxílio aos ODM, representados por movimentos como o Nós Podemos, saem fortalecidos com a iniciativa. Ele também elogiou a quantidade de informação disponível para planejar ações que ajudem a atingir os objetivos fixados pela ONU até 2015.


http://www.pnud.org.br/pobreza_desigualdade/reportagens/index.php?id01=3514&lay=pde

21 de junho de 2010

Na China, moradores de rua sofrem com pobreza abaixo de zero

Um dos piores invernos em quatro décadas no norte da China afeta principalmente o crescente número de moradores de rua que vive aos pés dos arranha-céus de Pequim em meio a um frio chega aos -12ºC.

Hua Dexiao, 86 anos, pede dinheiro e vive nas ruas na capital chinesa há dez anos. Ela vive desta forma desde que deixou a província de Henan, na região central da China, para reivindicar em Pequim justiça por um crime do qual foi vítima.

Hua tenta vestir com dificuldade um dos agasalhos trazidos para ela e mais dez moradores de rua por Liu Dejun, responsável por um site que ajuda a proteger esta parcela da população do frio.

O grupo de moradores de rua é bastante diversificado: idosos, pacientes de diferentes doenças, deficientes. Quando perguntados se pedem dinheiro nas ruas, dizem que recolhem lixo ou reciclam garrafas.

Eles mudam quando chega o carro de outro voluntário que entrega cobertores e agasalhos em plena rua. O aparente líder dos moradores de rua comenta com Liu como arrecadar fundos para que os filhos de conhecidos possam estudar; Liu ouve todos e oferece seu cartão de visitas, que traz as frases "Ajude dentro e fora da internet", em chinês, e "Pelos direitos humanos", em inglês.

"Por meio de nossos esforços, esperamos chamar a atenção dentro e fora da China", explica Liu, 33 anos. Ele diz que o objetivo seu grupo de caridade é "despertar a consciência dos cidadãos chineses sobre seus direitos", a fim de limitar "as violações dos direitos humanos" por parte do poder.

Nas últimas semanas, Liu, que é ex-policial, e outros cinco voluntários distribuíram mais de 120 cobertores aos moradores de rua de Yongdingmen e Qianmen, ao sul da Praça da Paz Celestial.

O frio provocou uma campanha espontânea em Pequim que inclui grupos de católicos, muçulmanos, budistas e "gente com coração", como diz Liu. Dias depois, quando o Governo chinês inicia seu plano de ajuda diante das nevascas, já não se vê mendigos pela rua, diz o jornal China Daily.

Liu desconfia das autoridades. Para ele, "não respeitam os moradores de rua, os tratam como prisioneiros".

Os sem-teto se amontoam nas ruínas dos antigos becos imperiais, os "hutongs", que estão a ponto de ser demolidos, entre lixo e roupas; outros, os que têm algum dinheiro, se alojam em casebres baratos alugados por US$ 1 ou US$ 2 diários; os mais desprotegidos tentam se abrigar entre pedaços de papelão e plástico.

Entre eles há desempregados, camponeses que migraram para a cidade, religiosos, acrobatas e muitos pedintes como Hua.

"Agora há muitos pedintes pobres", explica Li Jincheng, protestante e morador de rua de 46 anos. "Frequentemente não posso comer, passo fome. Tomara que mais cristãos participem da ajuda aos pedintes para mostrar a caridade de Deus e estender sua fé", diz.

Não existem na China números oficiais sobre moradores de rua, mas as autoridades asseguram que, entre 1978 e 1995, o governo tirou mais de 200 milhões de pessoas da pobreza.

Segundo a linha de pobreza chinesa (400 iuanes ao ano, US$ 56 hoje em dia), em 2001, 30 milhões de chineses estavam abaixo dela. Os organismos da ONU destacam a rapidez com que a China reduziu sua pobreza, sem precedentes na história.

No entanto, o Banco Mundial (BM) calculou que, no último ano, devido ao aumento do custo de vida na China, tomando como referência a linha de US$ 1 por dia e segundo a paridade de poder aquisitivo do iuane, a quantidade atual de pobres no país asiático chegaria a 300 milhões.

O economista chinês Yao Shujie, professor da universidade britânica de Nottingham, diz que a pobreza está crescendo devido aos comportamentos corruptos dos quadros comunistas, entre outros motivos.

Segundo o Ministério de Assuntos Civis chinês, em 2005, havia 150 mil crianças vivendo nas ruas. Em 1999, por ocasião do 50º aniversário da fundação da República Popular, Pequim expulsou 100 mil moradores de rua da capital, em sua maioria camponeses que vieram tentar a vida na cidade.

Os números sobre a mendicância, considerada uma "profissão" ("zhiye") supostamente digna na China e frequentemente organizada em máfias, não são incluídos nos cálculos oficiais, já que os pedintes são considerados como "população flutuante" por Pequim.

É o que dizem a economista espanhola Leila Fernández-Stembridge e o sociólogo americano Richard P. Madsen, segundo os quais estes mendigos ("qigai") foram ignorados tanto no maoísmo como durante a reforma econômica.


Fonte: http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4193135-EI8143,00-Na+China+moradores+de+rua+sofrem+com+pobreza+abaixo+de+zero.html

19 de maio de 2010

Espaço e pobreza.

Notadamente as décadas de 60 e 70 constituíram em períodos de urbanização em nosso país,o fenômeno promoveu mudanças no campo e na cidade, a primeira delas trata-se do êxodo rural, onde o homem do campo procura a cidade em busca de melhores condições de vida e encontrando na maioria das vezes a exclusão social por falta de qualificação.
A segunda mudança diz respeito ao crescimento desordenado das cidades, espaço onde quem não tem propriedade vai viver por um fio nas ruas ou quem tem emprego precário vai morar nas periferias engrossando a massa populacional vitima em potencial de deslizamentos de terra, alem da falta de infra-estrutura, saneamento básico , segurança etc.
As mudanças ocorreram em outro sentido também, quando da permanência do homem no campo, diz ( Santos, 2007, p. 42.), Esse homem do campo é menos titular de direitos que a maioria dos homens da cidade, já que os serviços públicos essenciais lhe são negados, sob a desculpa da carência de recursos para lhe fazer chegar a saúde e educação, água e eletricidade, para não falar outros serviços essenciais.
Certamente, a condição do homem do campo anteriormente comentada não lhe é digna, por esta razão, considera-se (Santos, 2007, p. 109.), o estudo da distribuição da pobreza no espaço supõe que se pesquise a razão pela qual indivíduos dotados das mesmas capacidades potenciais, tem “valor”diferente segundo o lugar em que se encontram.
Por exemplo, criança com seis anos de idade que vive na zona rural em cidade do interior do Amazonas, onde supostamente não tenha energia elétrica e nem conexão com a internet, fica em desvantagem de crescimento intelectual e cultural em comparação com criança que vive em Manaus, onde supostamente esteja mais próxima da possibilidade de “desenvolvimento”.

26 de abril de 2010

Nova York e moradores de rua

Por Nailson jr

Hoje, Segunda-feira é o primeiro dia de trabalho para Seth Diamond, a cidade de novo comissário serviços desabrigados.

Mr. Diamond, 47, vai assumir o comando do sistema de New York alastrando de abrigos, que atualmente abriga mais de 37.000 pessoas.

Ele é o último de uma longa linha de comissários que tentaram domar o problema dos sem-abrigo.

Mr. Diamond terá seu trabalho comprometido para ele a recessão tem contribuído para um número crescente de famílias que procuram abrigo, muitos dos quais perderam recentemente os seus empregos e casas. Ultimamente, mais de 100 famílias todos os dias têm aplicado para o abrigo.

E enquanto o Sr. Diamond tem muita experiência em questões de bem-estar, tendo passado anos trabalhando para a agência da cidade, o bem-estar, ele tem muito pouco conhecimento direto sobre sem-abrigo.

Fonte: http://cityroom.blogs.nytimes.com/2010/04/26/advice-for-the-homeless-commissioner/?src=twt&twt=nytimes

A pergunta é: seguimos o modelo estadunidense ou vamos criar nosso modelo? Me parece que queremos copiar...agora me digam...copiar só é legitmo quando está dando certo?

20 de abril de 2010

HiGIENISMO - LEI DE VADIAGEM - MORADOR DE RUA - SP

Por Nailson Junior

''Limpeza'' do centro?
16 de abril de 2010 | 0h 00

- O Estado de S.Paulo

Depois da desastrada reforma do sistema de albergues, que vem reduzindo as vagas disponíveis para moradores de rua e causou espanto por sua insensibilidade no trato de uma questão particularmente delicada, tendo em vista seus aspectos sociais e humanos, a Prefeitura da capital acaba de tomar uma segunda medida igualmente infeliz em relação a essa população desamparada. Portaria publicada no dia 1.º de abril regulamenta os procedimentos a serem observados pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) no trato com os moradores de rua, cabendo-lhe "contribuir para evitar a presença de pessoas em situação de risco nas vias e áreas públicas da cidade e locais impróprios para a permanência saudável das pessoas". Isto deverá ser feito por meio da "abordagem e encaminhamento das pessoas, observando as orientações da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social".

Isto quer dizer, como explica Bruno Paes Manso em reportagem publicada no Estado de quarta-feira, que os guardas poderão incomodar os moradores de rua, para levá-los a deixar essa condição. Uma das formas de fazer isso é o chamado "toque de despertar". Em vários locais do centro da cidade - como a Praça da Sé e em frente à Bolsa de Valores -, os guardas estão acordando diariamente os que dormem deitados nas calçadas. Eles podem ficar ali, desde que sentados.

Por trás dessa maldade à primeira vista pequena - mas que na verdade é uma revoltante forma de sadismo, por serem as suas vítimas quem são - está uma mudança profunda na maneira de a Prefeitura tratar o problema dos moradores de rua. Na região central, serviços públicos e instituições religiosas proporcionam alimentação, banho e até oficinas de capacitação a essa população, o que constituiria um incentivo para que ela se acomodasse. A ação da GCM seria uma maneira de forçá-la a sair da condição atual.

Isto é confirmado por um inspetor da GCM ouvido pela reportagem, que preferiu por razões compreensíveis manter o anonimato. O próprio secretário de Segurança Urbana, Edson Ortega, admite isso indiretamente, ao concordar que o "incômodo" causado àquela população tende a estimulá-la a deixar a rua. Segundo ele, os moradores de rua estão procurando cada vez mais os serviços sociais oferecidos pela Prefeitura. Ora, se esses serviços são tão bons, seus beneficiários não precisam ser empurrados para eles por meio dos tais "incômodos".

Diz o secretário que os responsáveis por essa nova política não estão inventando a roda, pois "os países mais desenvolvidos seguiram essa linha". Ele não está bem informado. Em Paris, como mostra a reportagem, várias ONGs doaram, em 2006, 500 barracas vermelhas para os sem-teto pernoitarem perto dos pontos turísticos da cidade e, assim, chamar a atenção do poder público para o seu problema. O que fez o governo francês? Em vez de mandar a polícia "incomodar" os sem-teto, para incentivá-los a mudar de vida, decidiu investir 7 milhões na construção de moradias para eles.

Algo semelhante deveria fazer a Prefeitura paulistana. Até porque existe toda uma estrutura montada para socorrer essa população. Entre 2002 e 2009, os recursos disponíveis para isso passaram de R$ 201,6 milhões para R$ 615,8 milhões. Um contingente de 452 agentes de proteção social, com o apoio de 40 Kombis, está apto a dar assistência aos moradores de rua e encaminhá-los aos albergues.

A nova política do "incômodo", do "toque de despertar", veio se juntar à reforma do sistema de albergues, que, com o fechamento de dois deles, já reduziu suas vagas de 8 mil para 7.300, justamente quando estudo promovido pela própria Prefeitura indica que o número de sem-teto está aumentando. Essas duas medidas parecem dar razão, infelizmente, aos que vêm acusando a Prefeitura de querer "limpar" o centro. Ou ela dá logo alguma explicação para atitudes marcadas por uma insensibilidade que beira o inacreditável ou não haverá como contestar tal acusação.

Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100416/not_imp539044,0.php


* 09/08/2009 - 05:49:46 - Atualizado em 09/08/2009 - 05:49:46


Lei que pune a vadiagem causa polêmica em Assis (SP)
09/08/2009

A aplicação da lei que pune a vadiagem na cidade de Assis, no interior paulista, está causando polêmica entre os moradores. Alguns defendem a ação, enquanto outros reforçam que é preciso ter critério ao abordar as pessoas e oferecer emprego aos desocupados.

Em abril deste ano, 20 mil pessoas participaram de uma manifestação cobrando das autoridades medidas mais eficazes para garantir a segurança no município. O resultado foi a troca de todo o comando das polícias Militar e Civil e a implantação do Programa Tolerância Zero.

A dona de casa Maria Aparecida de Moraes, de 53 anos, disse apoiar a lei porque a cidade está um caos por causa da criminalidade. Para ela, muitas pessoas que ficam nas ruas realmente estão procurando emprego, mas outras são desocupadas e até planejam crimes.

“Outro dia quase roubaram um cordão de ouro do meu pescoço. Só não conseguiram porque eu percebi antes. Então, eu aprovo a lei porque muitas pessoas são de bem. Pelo menos os que são bandidos vão diminuir porque vão ficar com medo de ser presos." Ela mora na cidade há 30 anos e disse que nunca viu a situação tão ruim como atualmente. “A situação piorou depois que construíram o presídio aqui."

Outra dona de casa, Marilene de Almeida e José, de 59 anos, concorda e diz aprovar a lei porque tem visto muitas pessoas serem vítimas de roubos enquanto andam pela rua. Ela atribui o aumento da criminalidade na cidade à falta de emprego e oportunidades para as pessoas. “Tem que ter lei, mas tem que ter trabalho para as pessoas. Se não há trabalho, eles vão roubar mesmo. E serviço em Assis está muito difícil”, afirmou.

A gerente de um restaurante da cidade, Ana Rita Spessoto, de 39 anos, disse que é ótimo que tirem da rua todas as pessoas que estão “à toa”, mas considera errada a aplicação da lei porque pessoas de bem, que não trabalham, podem ser confundidas com vadios. “E se ela não precisa trabalhar, tem um bonde de dinheiro e está passeando na rua, não tem carteira de trabalho ainda? A polícia vai fichar essa pessoa só por isso? Eu acho errado. Não é todo mundo na rua que precisa trabalhar." Para ela, é preciso encontrar uma maneira de diferenciar as pessoas antes de aplicar a lei.

Uma comerciante de 34 anos, que não quis divulgar o nome, avaliou que há pessoas que trabalham por conta própria ou sem registro e não têm como comprovar. Por isso, ela disse que é preciso cuidado para não cometer injustiças. Entretanto, destacou que a criminalidade em Assis está muito alta e é preciso uma atitude drástica da polícia. “É complicado porque de repente a pessoa está só andando na rua e logo depois está na delegacia sendo fichada. E tem também o lado da polícia que não está conseguindo distinguir as pessoas boas das ruins."

O proprietário de uma padaria da cidade, que também não quis seu nome publicado, ressaltou que há algum tempo tem percebido o aumento da violência e criminalidade em Assis, que tem menos de 100 mil habitantes. Para ele, o programa Tolerância Zero das polícias Militar e Civil está sendo positivo para conter essa onda de crimes.

“Em um mês já melhorou muito. Foi a melhor coisa que fizeram. A aplicação da lei da vadiagem é uma coisa boa, mas é preciso dar oportunidade para as pessoas, porque emprego está difícil hoje em dia. É complicado porque também tem muita gente que não quer trabalhar. Essa ação da polícia vai tirar as turminhas da rua. Muitas já não estão ficando na rua como antes, porque já ficam com mais receio. Isso está funcionando bem aqui”, disse.

Fonte: http://www.mundomulher.com.br/?pg=17&sec=37&sub=52&idtexto=8124&keys=Lei+que+pune+a+vadiagem+causa+polemica+em+Assis+%28SP%29++


Considerações:

No livro Moradores de rua: uma questão social? está muito bem explicado a questão do primeiro texto, sobre uma pesquisa realizada entre policiais brasileiros e franceses diz(Giorgetti,2006, p. 124.)," é interessante notar que eles constituem a única categoria que confessou sentir uma certa indiferença em relação aos moradores de rua".
Para pensadora paulista, a indiferença é causa do higienismo, contudo entre os policiais brasileiros a violencia também serviu como estopim para que policiais tivesse praticas higienistas.
o higiesnismo absoluto esta relacionado com o exercicio da violência na hora da retirada do morador de rua do espaço público. Hoje em dia, é feio para o Estado se comportar dessa maneira, no entanto, o discurso do ficar sentado para descaracterizar contravenção passou dos limites da dignidade humana.
Ao nosso olhar, trata-se de higienismo absoluto, com palavras você pode ferir mais do que com uma arma.
São Paulo não é a unica capital a ter no ente municipal postura descrita, embora, possamos perceber que o problema não é resolvido desta forma, visto que varias são as falas nas reportagens a respeito de oportunidade de trabalho, solidariedade, no entanto, o Estado não fala bem de quem ajuda moradores de rua e ainda quer resolver o problema burocraticamente.
Francamente, quem vive o problema tem outra percepção.

Bem, deixo desabafo e texto para reflexão em todas as cidades brasileiras.